Após mais de uma década de fortes
protestos por parte de ambientalistas e movimentos cívicos contra a
Nova Vila Franca - urbanização prevista para a zona a norte da ponte
Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira - o projecto vai avançar para
discussão pública. Em pouco tempo, mais de 60 hectares de lezíria
poderão ficar urbanizados e com um número de habitantes superior ao do
centro de Vila Franca, criando uma nova centralidade na cidade.
Apesar de a consulta pública se prolongar por um mês, a Sociedade Cais
de Povos (grupo Obriverca) já começou a proceder à terraplanagem da
área que abarca as lezírias do Chinelo, das Cortes e Cascata, antigas
propriedades da família Palha.
Limitada pelo Esteiro da Nogueira e atravessada pelo canal do Alviela,
o projecto da Nova Vila Franca prevê albergar 5900 habitantes. O
promotor cederá espaço para a criação de um parque ribeirinho de 29
hectares e para diversos equipamentos sociais, como o novo tribunal.
Plano bem diferente do protocolado em 1994, pelo presidente de Câmara,
o comunista Daniel Branco e a família Palha, que previa para aquela
zona - então denominada de UD4 - uma ponte rodoviária (concluída) e
equipamentos sociais. Com uma interpretação divergente, desde 1998 que
a actual gestão PS acusa a CDU de ter aberto a porta ao betão na
lezíria, tendo, no entanto, conseguido diminuir parte dos 3800 fogos
planeados.
"Não somos contra a UD4, com equipamentos sociais, mas sim contra mais
habitação e ao aparecimento de uma cidade. Por isso recorreremos à
justiça", garantiu, ao JN, José Capucha, presidente do movimento cívico
Xiradania, que apresentou uma queixa na GNR contra o depósito de terras
no local, a cargo da Obriverca, e que foram retiradas das antigas
salinas de Alverca do Ribatejo, onde também tinham sido colocadas
ilegalmente há vários anos. Nuno Miguel Ropio