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Jornal de Notícias
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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007
Edição do Dia   Sul  | Diário de Notícias | TSF Online
 
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Construtor vai ter de pagar custos com realojamento
nuno miguel ropio
Moradores queixaram-se de ter estado 12 horas ao frio, à espera de que fosse encontrada uma solução


Nuno Miguel Ropio

Foram ontem realojadas oito das 14 famílias que ficaram desalojadas, no Bom Sucesso, em Alverca do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, após um aluimento de terras ocorrido, durante a madrugada de anteontem, que provocou a derrocada dos quintais e a instabilidade do edifício onde viviam. Apenas quatro famílias mais numerosas aguardam, em pensões, que a Câmara Municipal disponibilize hoje em Alverca, ou nas proximidades, casas que possam ser ocupadas. Dois idosos rumaram, temporariamente, a duas instituições de solidariedade social.

Erros técnicos na construção do centro cultural do Bom Sucesso, na encosta onde se localiza o edifício, terão desencadeado o abatimento das terras. Apenas uma velha oliveira, com uma forte raiz, impediu que parte do prédio com 40 anos se tenha desmoronado. Ontem de madrugada, com a chuva forte, as terras voltaram a abater, apesar da construtora ter cimentado toda a encosta e (inclusive) a árvore.

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira solicitou ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) uma avaliação urgente da estabilidade do edifício. Quanto ao custos com o realojamento das famílias - que ficarão em casas alugadas até haver uma solução definitiva - serão remetidos pelo município ao construtor.

"É preciso tratar das pessoas e a Câmara está a faze-lo. Depois, e de acordo com o caderno de encargos, isto são responsabilidades do empreiteiro, com quem acertaremos as contas. Não poderíamos ficar à espera, até porque o empreiteiro só apareceu hoje (ontem)", acusou a presidente de câmara, Maria da Luz Rosinha que, em meia hora, conseguiu realojar as oito famílias. Algo que os técnicos do departamento de Acção Social e responsáveis da Protecção Civil não fizeram durante 12 horas, obrigando os habitantes a uma longa espera na rua.

Entretanto, o vereador da CDU, Nuno Libório, exigiu à autarquia que suspenda de imediato a construção e verifique se a área envolvente corre algum risco de derrocada. "A Câmara dever formar já amanhã (hoje) uma comissão de investigação ao acidente, composta por peritos independentes, e verificar a acção da empresa de segurança contratada em todo este processo", disse, ao JN, o comunista.
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