Construtor vai ter de pagar custos com realojamento
| nuno miguel ropio |
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| Moradores queixaram-se de ter estado 12 horas ao frio, à espera de que fosse encontrada uma solução |
Nuno Miguel Ropio
Foram
ontem realojadas oito das 14 famílias que ficaram desalojadas, no Bom
Sucesso, em Alverca do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, após
um aluimento de terras ocorrido, durante a madrugada de anteontem, que
provocou a derrocada dos quintais e a instabilidade do edifício onde
viviam. Apenas quatro famílias mais numerosas aguardam, em pensões, que
a Câmara Municipal disponibilize hoje em Alverca, ou nas proximidades,
casas que possam ser ocupadas. Dois idosos rumaram, temporariamente, a
duas instituições de solidariedade social.
Erros técnicos na construção do centro cultural do Bom Sucesso, na
encosta onde se localiza o edifício, terão desencadeado o abatimento
das terras. Apenas uma velha oliveira, com uma forte raiz, impediu que
parte do prédio com 40 anos se tenha desmoronado. Ontem de madrugada,
com a chuva forte, as terras voltaram a abater, apesar da construtora
ter cimentado toda a encosta e (inclusive) a árvore.
A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira solicitou ao Laboratório
Nacional de Engenharia Civil (LNEC) uma avaliação urgente da
estabilidade do edifício. Quanto ao custos com o realojamento das
famílias - que ficarão em casas alugadas até haver uma solução
definitiva - serão remetidos pelo município ao construtor.
"É preciso tratar das pessoas e a Câmara está a faze-lo. Depois, e de
acordo com o caderno de encargos, isto são responsabilidades do
empreiteiro, com quem acertaremos as contas. Não poderíamos ficar à
espera, até porque o empreiteiro só apareceu hoje (ontem)", acusou a
presidente de câmara, Maria da Luz Rosinha que, em meia hora, conseguiu
realojar as oito famílias. Algo que os técnicos do departamento de
Acção Social e responsáveis da Protecção Civil não fizeram durante 12
horas, obrigando os habitantes a uma longa espera na rua.
Entretanto, o vereador da CDU, Nuno Libório, exigiu à autarquia que
suspenda de imediato a construção e verifique se a área envolvente
corre algum risco de derrocada. "A Câmara dever formar já amanhã (hoje)
uma comissão de investigação ao acidente, composta por peritos
independentes, e verificar a acção da empresa de segurança contratada
em todo este processo", disse, ao JN, o comunista.
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