Em causa está o projecto de instalação de uma grande plataforma logística no norte do concelho de Vila Franca de Xira, que irá ocupar uma vasta área da Reserva Agrícola Nacional (cerca de 100 hectares).
Um êrro estratégico, pelo facto da
"logística" não criar emprego, e, bem antes
pelo contrário, apenas fazer nascer novas formas de colocação
na Europa de produtos fabricados em Países onde a mão
de obra é usada e abusada chegando nalguns casos a
aproximar-se da pura escravatura, o que, a breve significará
apenas a agonia da nossa Agricultura e da Industria.
Um êrro urbanístico, com mais uma
fonte de agravamento do caos na circulação viária,
devido à clara sobrecarga que tal estrutura irá ter, na
já tão sacrificada zona da Grande Lisboa, com o aumento
da poluição, e ainda com a diminuição de
fontes de renovação do ar, para já não
falar da total ausência de estudo de impacte ambiental.
Por outro lado, o panorama político
mundial leva-nos a ter muitas cautelas com as nossas fontes de
alimento, e, o desbaratar por completo dos nossos melhores solos
agrícolas, trocando-os pela simples construção
de prédios e de armazéns, poderá hipotecar
sériamente no futuro, uma solução de recurso que
ainda estava ao alcance de Portugal, numa eventual época de
crise.
As terras do Vale do Tejo, são terras de
aluvião, que, por natureza são muito férteis,
sendo já tal fertilidade, ancestral, relatada por muitos
historiadores como sempre tendo sido terras de abundância,
cujas referências remontam aos povoados do Calcolítico,
que aí existíam. Mais recentemente existe o registo de
que, os habitantes do interior do País organizavam frequentes
expedições de saque a esta zona, justamente, pela
abundância que esta evidênciava, Viriato, Cauceno e
Púnico lideraram muitas delas. Por sua vez, o cronista árabe,
Al Idrisi, referindo-se à região de Balãta,
(zona da Extremadura e Vale do Tejo), na qual se incluía a
actual "Lisboa", dizia “que o trigo semeado não
fica na terra mais de 40 dias, podendo ser colhido depois deles”
e “que uma medida rende cem, aproximadamente”.
Estes locais eram famosos em todo o Al Andaluz pela qualidade e
tamanho da sua fruta, dizendo-se ainda “que o chão é
são e as pessoas vivem muito velhas”, fazendo
alusão à grande qualidade de vida então vigente
neste local.
Assistimos com o passar do tempo à
limitação absurda das nossas fontes de alimento, com a
inutilização dos solos férteis, por betão
armado, limitando-se com isso a nossa subsistência futura,
obrigando-nos, num futuro próximo a ficar cada vez mais
dependentes do exterior, até no mais simples e básico.
Também
em causa está o logro de que tal investimento traría
milhares de empregos para a zona, quando sabemos que o sector da
logística, pela sua própria natureza, é o que
menos força de trabalho emprega, pois um simples elemento pode
controlar uns milhares de m2 de um simples armazém.
Por
conseguinte, temos na frente mais um êrro de clara dimensão
histórica, pois decisões destas são
incrivelmente tomadas por quem não sabe ler o passado, nem tão
pouco pretende olhar para o futuro.
posted by José Pedro Gil at 13:10