Câmara
permite avanço de obra com embargo judicial
Nuno Miguel
Ropio / JN, 6 Novembro de 2006
A Câmara Municipal de
Vila Franca de Xira voltou a licenciar uma obra no centro de Alverca
do Ribatejo, da responsabilidade da promotora Obriverca, apesar de
sobre esta construção pender um embargo decretado pelo
Ministério Público (MP) desde Fevereiro. A decisão
do vereador do Urbanismo, o socialista Alberto Mesquita, desrespeita
a acção determinada pela responsável do MP, para
quem todo o processo de licenciamento continha graves violações
de diversas disposições legais.
"O Tribunal
disse que havia falta de um parecer da Estradas de Portugal (EP), por
isso houve a nulidade do licenciamento e o processo iniciou-se.
Achei, com base num parecer interno, que poderia licenciar de novo a
obra", admitiu o autarca ao JN. "O novo licenciamento não
tinha razões para que não acontecesse",
acrescentou.
O MP não só determinou o embargo do
edifício (junto à Estrada Nacional 10, no local das
antigas bombas de abastecimento da Galp), como propôs uma acção
judicial contra o município e a Obriverca, no Tribunal
Administrativo e Fiscal de Lisboa. Para além da nulidade da
aprovação do projecto, da autorização de
construção e emissão do respectivo alvará,
a procuradora pediu ainda que a câmara seja condenada a demolir
o edifício para repor a legalidade.
Na verdade, o acto
de contra ordenação para a suspensão das obras
nunca se concretizou efectivamente. Segundo moradores, a Obriverca
continuou indefinidamente com os trabalhos de construção
nos últimos meses, apesar da autarquia garantir que não
forneceu água e electricidade à obra, e afirmar
desconhecer quem o tenha feito.
"Desconheço a
cobertura legal, mas verifiquei que nos dias 18 de Setembro e 3 de
Outubro as obras não estavam paradas", confirmou, ao JN,
o vereador comunista, Nuno Libório. Perspectiva o autarca, que
"perante este acto administrativo, num processo ferido de
ilegalidades, a câmara arrisca-se a sofrer uma pena ainda mais
pesada".
Este processo foi desencadeado em 2005 por uma
queixa do Movimento Cívico Xiradania, denunciando que o
edifício de sete pisos não respeitava os alinhamentos,
a morfologia e a volumetria da envolvente, cujos prédios não
ultrapassam os quatro andares.