Cidadãos
querem travar construção de viaduto

Nuno Miguel Ropio
Impedir a desmatação
de uma extensa área florestal, inserida em Rede Ecológica
Nacional (REN), através de uma providência cautelar
interposta por vários elementos que compõem o
"Xiradania", um movimento cívico vila-franquense. É
este o novo episódio a juntar à polémica
construção de um viaduto, iniciado há quatro
anos, que ligará as freguesias do Forte da Casa e da Póvoa
de Santa Iria, no concelho de Vila Franca de Xira.
O grupo de
cidadãos questiona a legalidade e a falta de pareceres de
organismos da administração central - com jurisdição
sobre a área em causa -, quando se procede ao arranque de
arvoredo na encosta, junto à A1.
"Para a
conclusão da obra, sem fundamento técnico, estamos
perante um crime ambiental e paisagístico. A encosta faz toda
parte da REN, mas nem a Comissão de Coordenação
e Desenvolvimento Regional (CCDR), que é a entidade gestora e
fiscalizadora, nem a Inspecção do Ambiente, fazem nada
para parar este atentado", acusou Fernando Neves de Carvalho,
rosto do "Xiradania", ontem à tarde, durante uma
visita ao local.
Segundo o advogado, na próxima semana
- e "dada a situação de emergência" -
além da queixa ao Ministério Público, os
responsáveis da CCDR e do Ministério do Ambiente também
serão notificados "para todos os efeitos
legais".
Concebido por um construtor, a pedido da Câmara
de Vila Franca e como permuta para a construção de uma
urbanização, o projecto de ligação das
duas localidades nunca deixou de estar envolto em problemas.
Depois
de se constatar - com enorme evidência e flagrantes erros
técnicos - que o viaduto não teria nenhuma confluência,
desembocando num morro de terras, a solução do promotor
da obra e da autarquia passa agora por circundar a colina, desmatando
floresta e ocupando terrenos abrangidos pela servidão
aeronáutica do aeroporto de Lisboa, até conseguir
atingir um ponto de saída.
Já no início
da construção, o então Instituto de Estradas de
Portugal (IEP), embargou a obra, questionando a sua qualidade técnica
e a impossibilidade de realizar um túnel, que atravessasse um
morro onde vivem milhares de pessoas.
Neste momento, os
trabalhos implicam uma curva acentuada e um traçado com uma
inclinação extremamente elevada (cerca de 15 graus),
muito acima do estabelecido pela legislação em vigor.
Ao JN, a presidente da Câmara, Maria da Luz Rosinha,
justificou que "o processo foi desenvolvido pelo promotor".
"Segundo informação que nos deu (o construtor),
terá recolhido os pareceres necessários das respectivas
entidades. E, no início dos trabalhos, demos conta que os
problemas existentes tinham sido ultrapassados", reagiu a
autarca socialista, que garante a averiguação das
denúncias.
Entretanto, o vice-presidente da autarquia,
Alberto Mesquita, admitiu que o viaduto estará concluído
"entre Março e Abril".