Loteamento em Vialonga põe cidadãos contra câmara


ANTÓNIO PIRES VICENTE Vila Franca de Xira


Um grupo de cidadãos de Vialonga apresentou no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa uma acção contra a Câmara de Vila Franca de Xira, por alegadamente lhes ter sido negado o acesso aos processos dos loteamentos da Quinta do Duque e do Olival das Minas, aprovados pela autarquia para a freguesia.

Os loteamentos em causa têm estado debaixo das atenções da opinião pública, particularmente do XIRADANIA _ Movimento de Cidadania Vilafranquense e da ADAPA _ Associação de Defesa do Ambiente e do Património de V. F. de Xira, em especial o que está previsto para a Quinta do Duque, porquanto a sua concretização está prevista para uma zona classificada como Reserva Agrícola Nacional (RAN). A junta de freguesia opôs-se à operação, por considerar que «não se justifica a inutilização definitiva de terrenos da RAN, muito menos quando áreas urbanizáveis estão ainda disponíveis, tanto em Vialonga como no resto do concelho».

Os subscritores da queixa recordam que, «quando a câmara aprovou o loteamento, o ex-vereador do Urbanismo, Carlos Silva (PS), declarou que a deliberação ficava condicionada à desafectação da RAN, a requerer pelo promotor imobiliário _ a Predimo, empresa do Grupo Obriverca». Esta aprovação sob condição, «afigura-se-nos ferida de ilegalidade», sustentam. Sendo certo que «não deu entrada no organismo de gestão da reserva agrícola qualquer pedido de desafectação daqueles terrenos e que a própria Comissão Regional da RAN nunca esteve e não está disponível para dar a sua concordância a um processo desse tipo», o XIRADANIA e a ADAPA temem que, «no âmbito da revisão do Plano Director Municipal (PDM), no qual a câmara já anunciou tentar obter novas desafectações das reservas agrícola e ecológica, a autarquia se substitua ao promotor imobiliário, tomando a iniciativa de promover a inutilização de terrenos de alta produtividade agrícola ou elevado valor ecológico». A ausência de resposta ao pedido de consulta aos processos dos dois loteamentos de Vialonga, para verificação da legalidade, apresentado em Março «não constitui caso singular na gestão do concelho de Vila Franca», segundo António Infante. Aquele dirigente do XIRADANIA diz que, «sistematicamente, a autarquia não pondera os argumentos, as sugestões e os documentos dos cidadãos durante a fase de inquérito público mesmo quando apresentados por escrito».

O vereador do Urbanismo, que alega desconhecer a existência de pedidos de consulta dos processos em causa e de qualquer acção judicial contra a autarquia, revela que «para a várzea de Vialonga, no âmbito da revisão do PDM, existem três hipóteses: desafectar toda a área da RAN, não desafectar nenhum terreno da RAN, ou então _ a hipótese mais realista - criar pequenas bolsas de expansão urbanística e industrial, a norte e a sul da variante». Ramiro Matos (PS) esclarece que «o processo está em apreciação na autarquia».