Director:
José Manuel Fernandes
Directores-adjuntos:
Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 6014|Quinta, 14 de Setembro de 2006
Teatro centenário de Alhandra já não será demolido
Tribunal dá razão a providência cautelar movida por grupo de cidadãos
O Tribunal Administrativo e Fiscal de Loures deu razão à providência cautelar apresentada pela Comissão para a Reabilitação do Teatro Salvador Marques de Alhandra (CRTSMA), que visava impedir a Câmara de Vila Franca de Xira e a Sociedade Euterpe Alhandrense (SEA) de demolirem o imóvel para construírem um edifício cultural mais moderno.
Segundo a
CRTSMA, o tribunal entendeu que o licenciamento da obra do novo
Espaço Cultural Salvador Marques (ECSM) projectado para
aquele local "é nulo", porque violaria o Plano
Director Municipal, o plano de pormenor da frente ribeirinha de
Alhandra e vários decretos-leis.
A câmara,
que anunciou em 2004 o propósito de demolir o velho teatro,
por considerar que atingira uma degradação
irrecuperável e não ter dimensão adequada, já
afirmou que, tal como referiu na contestação à
providência (14 de Junho de 2006), "está a
analisar as várias possibilidades de solução
para dotar Alhandra de um espaço condigno para o
desenvolvimento da actividade teatral e outras actividades
culturais".
A autarquia
acrescenta, em resposta ao PÚBLICO, que "já não
tinha intenção de proceder à demolição
do edifício do antigo teatro, como ficou claro quando lançou
o repto à Comissão de Reabilitação no
sentido de encontrar parceiros e meios para o efeito".
Bem diferente
é a leitura da CRTSMA, que sustenta que, nas três
reuniões que manteve com a câmara, os membros do
executivo municipal "nunca mostraram flexibilidade nos aspectos
graves do projecto (ECSM) que o tribunal agora reprova. Este diálogo
com a comissão foi pura encenação da autarquia
para consumo público", refere um comunicado da CRTSMA.
Referindo que
não estava distraída, a comissão defensora da
reabilitação do teatro - promoveu também
recolhas de assinaturas e outras iniciativas - afirma que "mantém
firme os argumentos que sustentam a reabilitação"
do imóvel e insiste na sua classificação como
monumento municipal, "conforme sugerido pelo Ippar"
(Instituto Português do Património Arquitectónico),
e na sua "integração num novo espaço
cultural".