Cidadãos pedem esclarecimentos sobre grandes projectos para Vila Franca
Travessia ferroviária, urbanização Nova Vila Franca e plataforma logística suscitam dúvidas
O movimento cívico Xiradania reclama esclarecimentos da Câmara de Vila Franca de Xira sobre alguns dos grandes projectos que se perspectivam para o concelho, considerando que subsistem várias dúvidas sobre o futuro da travessia ferroviária da cidade, sobre a urbanização Nova Vila Franca e sobre a plataforma logística anunciada para Castanheira do Ribatejo.
Em carta aberta
divulgada na semana passada, o Xiradania sustenta que correm rumores
de que já estará decidida a quadruplicação
da linha-férrea na cidade de Vila Franca e que essa obra será
feita "à custa de uma parte do Jardim Municipal
Constantino Palha".
O movimento de
cidadãos recorda que o jardim é "património
público da cidade" e afirma que os vila-franquenses "já
estão fartos de suportarem os efeitos da travessia da sua
freguesia por tudo quanto se dirige para Lisboa" .
Quanto à
urbanização dos terrenos situados a Norte da Ponte
Marechal Carmona, o movimento diz ter tido acesso ao texto do
protocolo assinado, em 1994, entre a câmara e a família
então proprietária do espaço, e observa que
esse acordo também equacionava a possibilidade de não
se concretizar o cenário de urbanização. Nesse
caso, segundo o Xiradania, o montante de indemnização
que a autarquia teria que pagar seria de 1,25 milhões de
euros, ficando dessa forma o concelho "mais beneficiado"
do que se for construída uma urbanização com
1966 fogos.
Maria da Luz
Rosinha, presidente da Câmara de Vila Franca, "estranha"
que o Xiradania tenha escrito uma carta a pedir esclarecimentos à
autarquia e que, ao mesmo tempo, a divulgue sem esperar pelas
respostas do município. "Estamos a ponderar se a
resposta também deve ser dada através da comunicação
social", diz a autarca socialista.
Plataforma é
"projecto urbanístico disfarçado"
O
projecto da grande plataforma logística prevista para a
frente ribeirinha da zona Norte da freguesia de Castanheira do
Ribatejo, cuja aprovação o Governo anunciou no início
de Julho, também está a suscitar muitas dúvidas
ao Xiradania, que diz que se soube recentemente que também
contempla a construção de hotéis e zonas
comerciais, "parecendo cada vez mais um projecto urbanístico
de grande escala disfarçado de empreendimento económico".
Reafirmando a sua discordância com a construção
desta plataforma numa área de reserva agrícola e
reserva ecológica, o Xiradania acha que a logística
não é a melhor via para o futuro do concelho e que os
investidores espanhóis (Abertis) só se terão
interessado por esta área "porque os custos do terreno
agrícola são muito inferiores aos dos terrenos
urbanos".