Ministério do Ambiente recusa aldeamentos turísticos nos mouchões do Tejo



Jorge Talixa / Público 15 de Novembro de 2006



Câmara de Vila Franca já admitiu essa possibilidade



O ministro do Ambiente admite o desenvolvimento de actividades de observação de aves e do ecossistema e de organização de passeios nos três mouchões do estuário do Tejo situados no concelho de Vila Franca de Xira, mas rejeita projectos que envolvam construções permanentes significativas.


"Se a pretensão for construir um aldeamento turístico, não tem a concordância do Ministério do Ambiente", disse o ministro Nunes Correia ao PÚBLICO.


O futuro dos três mouchões, que ocupam uma área superior a dois mil hectares, tem motivado alguma preocupação, porque os proprietários alegam que a exploração agrícola está decadente e não tem viabilidade e que é necessário encontrar outras formas de gerar meios para preservar as três ilhotas do Tejo e, sobretudo, as estruturas de diques que as protegem e evitam a sua destruição pelas marés-cheias do rio.


Numa visita aos mouchões organizada, em Abril, pela Câmara de Vila Franca de Xira, os proprietários dos mouchões de Alhandra, do Lombo do Tejo e da Póvoa afirmaram a sua vontade de desenvolver projectos de cariz turístico. A autarquia admitiu essa opção, mas defendeu que o futuro daquelas ilhas deverá passar por projectos turísticos de qualidade e de muito baixa densidade de ocupação, vocacionados para a observação da natureza.


No Lombo do Tejo, o empresário António Varela já investiu centenas de milhares de euros nos últimos seis anos num grande projecto de requalificação, recuperando e modernizando as construções, criando espaços ajardinados e investindo na criação de caminhos e na reparação dos diques.


"Este espaço pode continuar a ser uma área de uso agrícola e pode ter uma utilização que torne esta vivência mais rentável", referiu António Varela, frisando que "é difícil manter este equilíbrio se não existir um suporte financeiro adequado" e que a ilha "tem um enorme valor económico e turístico".
No vizinho Mouchão da Póvoa chegou a ser desenvolvido um estudo para a instalação de 3000 fogos em palafitas, mas não foi aceite pelas administrações local e central.


Na semana passada, o deputado Pedro Quartin Graça, membro do Partido da Terra eleito pelo PSD, apresentou um requerimento em que solicita esclarecimentos do Ministério do Ambiente e da Câmara de Vila Franca de Xira sobre eventuais projectos de utilização turística dos mouchões. O parlamentar pede "informação integral sobre se existe, ou se se encontra em fase de negociação, algum projecto de utilização turística referente aos mouchões do Tejo" e recorda que a Câmara de Vila Franca "tem defendido insistentemente que os mouchões estão em risco de desaparecimento dada a degradação do sistema de diques.
"Por princípio, não concordamos com construções e ocupações do espaço que contribuam para criar uma carga permanente nesses mouchões. Temos que ter grande prudência", responde o ministro do Ambiente, frisando que está de acordo com actividades de observação de aves e de passeio nos mouchões, mas

que não concorda comque não concorda com qualquer empreendimento do tipo aldeamento turístico. qualquer empreendimento do tipo aldeamento turístico. que não concorda com qualquer empreendimento do tipo aldeamento turístico. que não concorda com qualquer empreendimento do tipo aldeamento turístico.

Três ilhotas do tamanho da Amadora


Os três mouchões do concelho de Vila Franca de Xira totalizam perto de 2400 hectares (24 quilómetros quadrados), uma área semelhante à de concelhos como a Amadora e Odivelas, onde vivem centenas de milhares de pessoas. Nestas três ilhas do estuário do Tejo vivem em permanência pouco mais de dez pessoas, dedicadas a actividades agrícolas e de apoio. Os mouchões são protegidos por dezenas de quilómetros de diques e por sistemas de comportas e estão em grande parte integrados na Reserva Natural Estuário do Tejo. O Mouchão de Alhandra tem 351 hectares e tem sido afectado nos últimos anos pela salinização das águas, o que vai obrigar os proprietários a fazerem um furo de captação a 500 metros de profundidade. Também por isso, a actividade agrícola está decadente. O Mouchão do Lombo do Tejo tem uma área total de 900 hectares e o da Póvoa 1200 hectares, 810 dos quais são cultivados. Dispõe ainda de 2000 metros quadrados de áreas construídas, uma capela e os restos de uma unidade de captação de água mineral. J.T.