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CM
Vila Franca admite que viaduto sem saída está em
espaço de Reserva Ecológica
17.02.2007,
Jorge Talixa
A
edilidade vila-franquense vai solicitar declaração
de interesse público municipal para que a área seja
desafectada da REN a fim de poder concluir a obra
a
O executivo camarário de Vila Franca de Xira reconheceu que
a obra do polémico "viaduto sem saída",
que se arrasta há perto de seis anos no Sul do concelho,
está a ser feita numa área classificada como Reserva
Ecológica Nacional (REN). Para tentar corrigir o problema,
a edilidade aprovou, anteontem, um pedido de declaração
de interesse público municipal desta ligação
rodoviária entre o Forte da Casa e a Póvoa de Santa
Iria, com o objectivo de pedir a desafectação
daquele espaço de REN e concluir a obra. A mesma proposta
estava ontem agendada para apreciação em sessão
da assembleia municipal vila-franquense.
A
oposição camarária voltou, contudo, a
criticar todo o processo de construção deste viaduto
e os três vereadores da CDU defenderam mesmo que, em vez de
pedir a desafectação da REN, a maioria socialista
deveria era garantir a preservação dos espaços
naturais que ainda subsistem na zona e demolir o viaduto. A
proposta de declaração de interesse público
acabou por ser aprovada com cinco votos favoráveis do PS,
três contra da CDU e uma abstenção do vereador
da coligação Mudar Vila Franca (PSD-CDS/PP).
Alberto
Mesquita, vice-presidente da Câmara que assumiu
responsabilidades no pelouro do Urbanismo há perto de um
ano, admitiu que poderia ter sido encontrada "uma localização
mais interessante" para este viaduto, mas sublinhou que agora
importa ultrapassar o problema da REN - o executivo camarário
garante que só se apercebeu dele em Janeiro, depois de uma
denúncia de ambientalistas e da CDU - e concluir a obra,
importante para desviar algum tráfego da Estrada Nacional
10. O edil lembrou que um plano geral de urbanização
elaborado pela câmara em 1975/76 (então de maioria
PCP) já contemplava esta ligação entre as
duas localidades, exactamente onde está a ser construída.
Utilidade
duvidosa
A
CDU entende, contudo, que este viaduto nunca cumprirá a sua
função, porque terá acessos com um grau de
inclinação exagerado e, por isso, inseguro. "Em
vez de uma declaração de interesse público
para que o viaduto continue a destruir uma paisagem legalmente
protegida, a CDU propõe que este viaduto seja demolido e
definida uma posição de salvaguarda daquela
paisagem", sustentou Nuno Libório, vereador comunista.
Rui
Rei, vereador da coligação Mudar Vila Franca,
lembrou que desde 2002 que contesta os erros de todo este
processo, mas explicou que optava pela abstenção
porque cabe ao executivo socialista a responsabilidade de
encontrar uma solução.
O
viaduto tem sofrido sucessivos avanços e paragens, porque
se percebeu que desemboca num morro e terá que ter saídas
bastante inclinadas. Tem vindo a ser construído por um
urbanizador local, no âmbito de um entendimento feito com a
edilidade, e já terão sido gastos mais de um milhão
de euros.
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