PÚBLICO
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Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 5970|Terça, 1 de Agosto de 2006
Câmaras fazem proposta ao governo
Ambientalistas contestam instalação de plataforma logística no Ribatejo
Alargamento das condições de excepção no uso dos solos no centro da polémica
A proposta feita ao Governo por sete câmaras ribatejanas para que sejam alargadas as condições de excepção que permitam a instalação de uma grande plataforma logística num terreno de cerca de 100 hectares - actualmente integrados nas reservas agrícola e ecológica nacionais - está a motivar reacções de desagrado por parte de organizações ambientalistas da região. A proposta foi feita no dia 18; dias depois, a Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer (Alambi) reagia, considerando que "a especulação e a predação dos solos não se pode tornar regra, nem solução".
A Alambi, que
também tem criticado a construção do futuro
aeroporto na zona da Ota e as alegadas falhas dos estudos já
divulgados sobre a matéria, defende uma posição
"firme e pedagógica" do Governo que releve a
importância das reservas agrícola (RAN) e ecológica
(REN) nacionais e dos instrumentos de ordenamento para a
sustentabilidade do território. No entender da associação
alenquerense, esse tipo de atitude governativa deverá ter um
efeito "dissuasório da especulação
existente na zona e da pressão por ela exercida para a
alteração de uso dos solos de zonas salvaguardadas".
As autarquias
sustentam que os mecanismos de excepção que permitam
alterações ao uso do solo poderão facilitar a
instalação de empresas e ajudar a atenuar o impacte do
encerramento, no final deste ano, da fábrica da General
Motors de Azambuja.
Representantes
das câmaras de Azambuja, Alenquer, Cartaxo, Rio Maior,
Salvaterra, Santarém e Vila Franca de Xira - concelhos onde
reside a esmagadora maioria dos trabalhadores da fábrica de
automóveis - reuniram-se, na terça-feira, em Azambuja,
e divulgaram um documento conjunto onde, entre outras medidas,
defendem que o Governo encare a possibilidade de estender a toda
esta área as "condições de excepção
de alteração do uso do solo" que permitirão
a instalação da grande plataforma logística da
Castanheira do Ribatejo num espaço integrado na RAN e na REN.
Sugerem, para
isso, a elaboração de planos de pormenor ou de
iniciativas de alteração dos planos directores
municipais, salientando que essas excepções se deverão
destinar exclusivamente a viabilizar a instalação de
empresas e nunca para expandir áreas residenciais (ver
PÚBLICO de 19/07/06).
"Interesses especulativos"
A Alambi não
concorda e lamenta que "o assalto predatório, movido por
interesses especulativos, aos melhores solos agrícolas do
país, seja entendido como um processo de "desenvolvimento
sustentado" pelos autarcas que subscreveram o comunicado".
A associação ambientalista alenquerense critica o
facto de se pretender "transformar em regra" o processo da
plataforma logística da Castanheira, frisando que este
projecto, "a ser concretizado, inutilizará uma vasta
área de aluvião da lezíria do Tejo, leito de
cheia e solos de enorme produtividade".
A associação
lamenta, ainda, que entidades da administração local
(câmaras), que "cada vez mais assumem competências
na área do ambiente e do ordenamento do território,
continuem a entender a preservação dos recursos
naturais e os instrumentos de ordenamento do território como
obstáculos ao que chamam de "desenvolvimento
sustentado"".
100
hectares de terreno e uma
área de 50 hectares para expansão
370
milhões de euros é o investimento previsto para o
local
7000
é o número de postos de
trabalho directos a criar. 18.000 indirectos