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POL nº 5962 | Segunda, 24 de Julho de 2006
Ambientalistas acusam revisão dos PDM de facilitar corrida ao betão
Processos de revisão estão a servir para "garantir os perímetros de expansão urbana" e "consagrar as agressões às reservas Ecológica e Agrícola"
Cinco associações ambientalistas com actividade na Área Metropolitana de Lisboa subscreveram um comunicado sobre a revisão dos planos directores municipais (PDM) e a expansão urbana neles prevista, onde criticam a "corrida pelo betão". A maioria dos processos de revisão dos PDM actualmente em curso, garantem, está a ser utilizada para "garantir os perímetros de expansão urbana, a impermeabilização do solo e o consagrar das agressões às reservas Ecológica e Agrícola nacionais".
O documento
exige uma participação activa das organizações
não governamentais nos diversos momentos da revisão
dos PDM, a adequação destes planos às
directrizes do plano regional de ordenamento do território
(PROT) e o respeito pelo direito à informação
previsto na lei desde o início dos processos de revisão,
para que as organizações interessadas se envolvam no
seu acompanhamento.
Quercus, Lisboa
Verde, Olho Vivo, Xiradania e Associação de Defesa do
Ambiente de Loures são as cinco entidades subscritoras do
documento, que começa por afirmar que "a estrada para o
inferno está pavimentada com as boas intenções".
Boas intenções que entendem que estão fixadas
na Lei de Bases do Ordenamento, que previu que os PDM servissem como
aplicação à escala municipal das directrizes
dos planos regionais. Como os primeiros PDM foram aprovados sem que
existissem essas directrizes regionais, os autores do comunicado
reconhecem que falhou desde logo um dos pressupostos da lei.
Passados os 10
anos de vigência dos primeiros PDM, as cinco associações
consideram que, não só não se verificou a
aplicação dos princípios definidos a nível
da região, como estes planos "não serviram para
produzir ou restabelecer a harmonia de um desenvolvimento do
território, que prosseguiu ao sabor dos interesses imediatos"
e, em grande parte, "têm servido para a consagração
de realidades criadas no terreno e sido vítimas de todas as
excepções e alterações quando é
de conveniência".
Admitindo que o início da
fase de revisões destes primeiros PDM gerou "grande
esperança" de que pudessem integrar as linhas
orientadoras dos planos regionais, as cinco organizações
ambientalistas concluem que a realidade tem sido outra e que
questões como os corredores ecológicos e as zonas de
desenvolvimento preferencial definidas no PROT da AML "significam
bem pouco para que as câmaras se preocupem com a adequação
dos novos PDM a esta realidade". Os autores do documento
salientam, assim, que estas circunstâncias "criaram
situações ideais para que o cenário seja o de
uma verdadeira corrida pelo betão, ganhando a câmara
que mais área de construção conseguir criar
para gáudio dos empreiteiros e especuladores".
"Questões
como a satisfação das necessidades dos munícipes
ou de preservação da herança patrimonial e
ambiental dos concelhos são, a esta luz, coisas bem pouco
importantes", concluem as cinco associações, que
afirmam que "só o cumprimento da lei impedirá
esta situações".