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POL nº 6140 | Quinta, 18 de Janeiro de 2007
Viaduto inacabado há quase cinco anos pode acabar em tribunal
Cidadãos
apresentam providência cautelar
Câmara de Vila
Franca volta a mandar suspender as obras da ligação
entre o Forte da Casa e a Póvoa de Santa Iria
Jorge
Talixa
Um grupo de cidadãos vai apresentar uma providência cautelar em tribunal com o objectivo de parar as obras de construção do acesso sul do viaduto que deverá ligar a vila do Forte da Casa à cidade da Póvoa de Santa Iria. Os autores da iniciativa consideram que parte dos trabalhos realizados e outros que se perspectivam põem em causa uma área florestal classificada como Reserva Ecológica Nacional (REN). A Câmara de Vila Franca de Xira julga que o promotor imobiliário com quem negociou a construção do viaduto terá recolhido todos os pareceres necessários, mas decidiu, anteontem, mandar suspender os trabalhos para averiguar melhor a situação.
A autarquia
anunciara, já este ano, que previa a conclusão do
viaduto até ao início de Abril, mas este novo problema
deverá inviabilizar esse objectivo. A obra começou na
Primavera de 2002 e, desde então, tem estado envolta em
inúmeras vicissitudes, porque o viaduto, onde já foram
gastos mais de 1 milhão de euros, desemboca num morro do lado
da Póvoa de Santa Iria e tem sido difícil encontrar a
melhor forma de construir a sua ligação a esta cidade
sem que a inclinação da via seja demasiada.
Um
grupo de cidadão e elementos do movimento cívico
Xiradania estiveram há dias no local e anunciaram que vão
apresentar uma providência cautelar reclamando a suspensão
dos trabalhos, porque julgam que o novo trajecto da saída sul
(em construção) iria destruir uma importante parcela
da mata dos Caniços.
Segundo Neves
de Carvalho, advogado e dirigente do Xiradania, estão a
decorrer trabalhos em áreas de REN e de Reserva Agrícola
que não terão sido desafectadas. Na sua opinião
trata-se de "um crime ambiental e paisagístico" que
irá ser também denunciado ao Ministério do
Ambiente.
A presidente da
câmara local anunciou na segunda-feira que decidiu "suspender
a execução da obra". Maria da Luz Rosinha
sustenta que o processo foi desenvolvido pelo promotor, que "segundo
informação que remeteu [à câmara] terá
recolhido todos os pareceres necessários das respectivas
entidades".
Câmara previa conclusão das
obras em Abril
Na primeira
semana de Janeiro, no decorrer da última reunião da
câmara, o vice-presidente, Alberto Mesquita, tinha adiantado
que as obras de construção desta alternativa à
Estrada Nacional 10 ficariam prontas em Abril e que o projecto
sofreu uma última melhoria que reduziu o grau de inclinação.
O autarca, responsável pelo pelouro do urbanismo, respondia
às críticas da oposição, que classifica
a obra como "um absurdo".
Carlos
Coutinho, vereador da CDU, sustentou que o viaduto "não
pode nem deve ser concluído naquelas condições",
porque a rampa de ligação ao Forte da Casa "é
demasiado inclinada". Segundo o autarca, esta rampa terá
um grau de inclinação "muito superior a 9 por
cento" e "ainda por cima termina numa curva" com
sérios riscos de ocorrência de acidentes. "Esta
obra monstruosa não é para concluir e muito menos para
inaugurar. É uma obra para sair dali", observou.
Também
Rui Rei, vereador da coligação Mudar Vila Franca
(PSD/CDS-PP), lembrou que logo em 2002 alertou para as falhas do
projecto do viaduto. "A dúvida que tenho é que
alguma vez sirva para aquilo para que foi pensado. Gostaria de saber
se a câmara vai continuar a alimentar aquela situação,
que liga a lado nenhum e vai continuar a criar problemas",
vincou.
Alberto
Mesquita admitiu que poderia ter sido encontrado "um traçado
mais feliz" para o viaduto, mas sublinhou que há vias
com inclinações semelhantes e até superiores
onde as viaturas circulam sem problemas.