A impermeabilização dos solos decorrente da instalação em Castanheira do Ribatejo da Plataforma Logística pode levar à degradação dos solos e da água na bacia Tejo-Sado, que constitui o maior sistema aquífero de Portugal. Para além deste factor, há que acrescentar também o crescente número de furos feitos de forma aleatória e clandestina, associados normalmente a práticas agrícolas, alguns dos quais abandonados, e que se estendem por uma área que abrange Lisboa, Vila Franca de Xira, Samora Correia, Valada, Chamusca, Abrantes, Ponte de Sor, Vendas Novas, Alcácer do Sal, Grândola ou Setúbal. Em declarações ao Expresso, Albino Medeiros, presidente de Comissão Especializada de Águas Subterrâneas e da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos, considera que “este tipo de furos são autênticas auto-estradas da contaminação superficial para o meio aquífero” e que “as constantes beliscaduras neste meio podem colocar sérios problemas no consumo humano, na indústria e na agricultura”, nomeadamente, se se verificar a salinização das águas. Num estudo recente sobre a poluição dos aquíferos por nitratos de origem agrícola, o Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulico (IDRHa) identificou as quatro regiões vulneráveis na bacia do Tejo, sendo que a zona entre Alpiarça, Entroncamento e Vila Nova da Barquinha é considerada uma das mais vulneráveis.


Uma parte significativa da bacia Tejo está em solos da RAN. Curiosamente é um elemento do IDRHA que preside à Comissão Nacional de Reserva Agrícola Nacional (RAN).

 

O "Ribatejo" de 9 de Novembro